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O blog pessoal do Pedro Gabriel sobre RPG

O que é RPG

RPG é a sigla para RolePlaying Game, ou Jogo de Interpretação. Basicamente, RPG é apenas uma forma de contar estórias, mas com algumas particularidades: uma série de situações encadeadas é proposta aos jogadores, e estes devem resolvê-las, mas não como eles mesmos, e sim interpretando personagens, que junto com as situações citadas formam uma estória.

Tipicamente, enquanto a maioria dos jogadores interpreta um único personagem, que faz parte do time de protagonistas, um dos jogadores, chamado Narrador, Mestre, DM, GM, etc., fica responsável por propor as situações aos personagens dos jogadores (chamados PJs, PCs, etc.), guiar a ambientação onde a estória se passa, os detalhes da trama, e interpretar os outros personagens da mesma, coadjuvantes e antagonistas (chamados PdMs, NPCs, etc.).

É como se, em uma peça de teatro, enquanto quase todos os outros atores interpretassem seu único personagem, o que sobrou não apenas cuida de todos os outros personagens da peça, como também de todo o resto da mesma: cenário, figurino, iluminação, cortinas, contra-regra, direção, até o roteiro!

Mas aí entra em jogo a segunda particularidade do RPG: não há roteiro; as ações dos personagens não estão pré-definidas. O Mestre propõe a primeira situação aos PJs, e estes, agindo de acordo com seus personagens, devem descrever suas ações em resposta; ao que o Mestre informa a consequência da primeira leva de ações, e os jogadores descrevem as reações formando uma segunda leva de ações, e assim sucessivamente, num ciclo de interação entre o Mestre e os PJs, até chegar ao fim da estória (por aqui chamada de aventura)… ou do tempo da sessão de jogo! (Nesse caso, continua-se na próxima sessão.)

Há, entretanto, um problema: nem sempre uma ação descrita por um PJ pode ser bem-sucedida; como decidir se ele realizou tal feito ou não? Nesse ponto chegamos à terceira particularidade do RPG: as regras. O motivo dos “livrões assustadores” (pelo tamanho, senhores, quantidade de páginas…) de RPG é, pura e simplesmente, devido às regras: elas existem para que decisões possam ser tomadas, quando há dúvidas sobre se uma ação falha ou não. E aí chegamos, também, ao conceito de sistema, um conjunto de regras que compreendem desde a criação de personagens (principalmente voltada para os PJs, mas que também pode ser utilizado para os PdMs), a evolução dos mesmos ao longos das aventuras, os adversários que surgem em seu caminho (e os modos de como lidar com eles), as recompensas que podem ser conquistadas… e, principalmente, o modelo de testes de um sistema: como decidir se uma ação é bem-sucedida ou não.

A quarta particularidade do RPG é como tais testes ocorrem; é preciso um elemento de aleatoriedade, para que, de acordo com as probabilidades de um evento ocorrer ou não, uma ação possa ser decidida. Claro que, para isso, qualquer um pode usar uma função geradora de números randômicos de uma linguagem de programação decente, mas o “elemento de aleatoriedade” canônico do RPG foi, é e sempre será… os dados. Sim, os dados, os famosos dados do RPG, desde aquele dadinho cúbico comum de seis faces (também chamado d6), incluindo outros sólidos pitagóricos (ou platônicos) com números em suas faces, como o tetraedro (ou d4), o octaedro (ou d8), o dodecaedro (ou d12) e o icosaedro (ou d20, praticamente um símbolo do RPG), além de um sólido não pitagórico (mas que obedece à famosa fórmula de Euler para poliedros, “Vértices + Faces – Arestas = 2”), com 10 faces (ou d10), em tributo à quantidade de dedos nas duas mãos do homem (e, em consequência, a todo o sistema decimal de contagem, medidas e unidades).

Outros sistemas utilizam cartas, ou outros “elementos de aleatoriedade”, para determinar o resultado das ações, em vez dos dados — mas estes ainda são os mais comuns no RPG. Entretanto, o resultado determinado pelo dado nem sempre é a palavra final, uma vez que a quinta particularidade do RPG é… o bom senso do Mestre, uma das poucas grandes virtudes que devem ser esperadas desse sujeito. Quando o resultado do dado atrapalha mesmo a estória que o Mestre e os jogadores estão contando em conjunto, o Mestre pode simplesmente ignorá-lo. O mesmo pode ser feito com as regras do sistema vigente em seu grupo, o Mestre pode ignorá-las ou mesmo torcê-las para que elas se adequem à aventura. Notem que o objetivo de tais procedimentos é evitar problemas na estória; embora o Mestre detenha grande poder no jogo, poder esse que pode ser usado para ignorar completamente os personagens e suas ações, ele não deve seguir tal rumo, pois acabará frustrando os jogadores. Ou seja: o Mestre joga com os jogadores, não contra eles; ele não busca “vencer” os personagens dos jogadores, mas propor desafios aos mesmos, desafios que devem ser superados, mesmo que sejam difíceis — é aqui que entra a “mão” do Mestre, ignorando regras e jogadas de dados que atrapalhem.

(Nossa, o texto já está bem grande, não?)

O que nos leva à sexta, e espero que última particularidade do RPG: é mais do que um jogo, uma vez que não há vencedores ou perdedores. Os jogadores não jogam uns contra os outros; pelo contrário, seus personagens devem trabalhar juntos para superar os desafios propostos pelo Mestre. E este não joga contra os demais jogadores, trabalha em conjunto para que todo o grupo construa uma estória bacana… ou pelo menos divertida! Afinal, esse é o objetivo principal do RPG, assim como outras formas de entretenimento: a diversão.

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